Se não for pra ajudar fique na sua mediocridade.

Publicado: fevereiro 17, 2012 em Conceito, Filosófia, história, pensamentos, Política, politicagem
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Dia desses vi um ser comentando que de nada iria adiantar manifestar pelas ruas, ir atrás de mudanças, fazer abaixo-assinados ou expressar minha opinião em busca de melhores condições de vida para a população. Dizia ele que os poderosos têm poder o suficiente para chamar a mim e a todos que lutam por um Estado melhor de baderneiros sem propósitos. E que não importava o que eu fizesse ou o que eu bradasse, nada adiantaria, pois eles são ricos e podem pagar advogados (como esse ser, por exemplo) para se exonerarem de qualquer culpa. Hoje eu gostaria de dar um recado pra esse e os demais seres que compactuam com essa submissão sócio-política-intelectual.

“Olá, tudo bem? Tudo bem não, tudo ótimo, maravilhoso, né? Melhor impossível, suponho. Ah, não está tudo as mil maravilhas? Pois é, por aqui também não. Aliás, desde que eu me entendo de gente nunca esteve por aqui… mas… engraçado, pensei que estivesse no seu universo tudo certo, tudo caminhando rumo à perfeição. Pelo menos é essa a mensagem que você tanto apregoa por aí, em seu sorriso sempre tão farto, em sua postura sempre tão austera, em sua índole sempre tão exemplar e, sobretudo, em suas palavras sempre tão íntegras e peremptórias. Às vezes até me confundo se estou lidando com palavras de Jesus, ou suas, quando leio minha Bíblia. Hihihi… mentirinha – eu não leio a Bíblia. Nem nunca li. Até porque não a preciso ler para saber respeitar o próximo e saber que a humildade é a condição mais humana de todas. Não leio a Bíblia porque não sou um ser que aceita algo só porque está escrito. Principalmente quando a origem das palavras não condizem com muitos de meus pensamentos… ao contrário de você, não é? Se a Globo falou, então é verdade! O quê? Você não é assim? E por que você me diz que sou um inútil barulhento quando manifesto meus direitos? É assim que a Globo me define também. Ok, ok… estou me exaltando. Desculpe-me.

“Desculpas”. Há quanto tempo você não se desculpa de alguém? Devo acreditar que há muito tempo, não é? Quiçá desde o ventre de sua mãe. Errar é humano, mas desculpar-se é super-humano e, como eu bem sei, você não é nenhum super-humano. Aliás, você, ser, a meu ver é um simples super-humano. Incoerente, admito, mas é isso que para mim você aparenta: uma incoerência que come, anda, viaja, é popular e, principalmente fala, fala e fala. Sem fé que pessoas como você mesmo possam mudar as condições da sociedade em que está inserido. Desacreditado no seu super-poder de, em parceria com outros de seus semelhantes (sim, você tem semelhantes!), modificar para melhor o mundo em que vive. Você, ser sem fé, precisa se libertar, sabe? Tirar essas viseiras de que a sociedade civil nada pode fazer contra os grandes e poderosos. Você, ser sem fé, precisa entender que a sociedade civil é bem mais numerosa que os poderosos e que essa mesma sociedade civil é quem sustenta os poderosos. Você, ser sem fé, precisa entender a matemática da coisa: um gordo banqueiro pode não ser levantado por você, mas por uma dúzia de vocês.

Por isso, Ser, pense bem antes de espalhar sua descrença por aí, até porque ela está se tornando infundada. Sabe a Lei Ficha Limpa? Eu e mais de 1 milhão de pessoas assinaram há dois anos atrás e, finalmente, está em vigor. Pois é: a iniciativa popular – os baderneiros sem propósitos – conseguiram essa vitória. 1 milhão de pessoas não pensam como você. E 1 milhão de pessoas acreditam que é possível ter um Estado melhor para todos. E 1 milhão de pessoas QUEREM um Estado melhor para todos e, acima de tudo, fizeram por onde, ao invés de ficar desmotivando ao próximo no conforto da sua poltrona com esses dedos (tão mágicos) no teclado de um computador, numa atitude covarde e, sobretudo, HIPÓCRITA.

Ser, que tudo sabe, tudo entende, tudo dita, e não venha anuviar o brilho da revolução que está iminente em todo o mundo. Ser, que tudo julga, que com tudo se congratula, você pode ter o seu direito de expressão, mas eu também tenho o meu.”

By Bob Érick

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