Em um calçadão qualquer

Publicado: dezembro 27, 2011 em Uncategorized
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A noite todo gato é pardo, na praia caiu na rede é peixe

      Quando começa a raiar o sol na praia um sistema paralelo se ergue, existe uma divisão clara de quem pode muito e quem só pode sobreviver, ali nas calçadas as pessoas são levadas a um caminho desenhado com começo e fim e a mesma cena ao lado,na calçada os personagens mudam ou se mudam, muitos ali ganham ou perdem, ali a lei da vida segue clara e direta, quem trabalha recebe, mas quem se desvia  paga caro. 

       No calçadão o intercâmbio cultural é motivado pelo descompromissado bate-papo, ali se fala tudo sem medo, sem receios, se algo não cair bem é só não aparecer no calcadão por um tempo e tudo volta a  normalidade, as vezes não se percebe quando alguém novo aparece ali, na verdade nem deve ser percebido, quem quer entrar naquele mundo tem que entrar como se já estivesse lá, mas quando alguém some, todos notam, e pensam dia a apos dias o que pode ter acontecido, principalmente em período de natal onde todos ficam saudosos e solidários. Outro dia uma vendedora de chapéu para sol comentou da  amiga que nunca mais havia aparecido na praia, ela queria dar-lhe uma cesta básica natalina doada por um politico de são gonçalo, a amiga não apareceu e ela até hoje se pergunta o que houve?. A vida segue no calçadão, em cada passo um pensamento, no clima de passeio ou de fuga, de necessidade, de dias bons e dias ruins,é o retrato da vida numa perspectiva simples e resumida. 

 

By Raquel Bezerrah.

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